quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Curso de formação em Psicogenealogia


É com muita alegria que o Espaço Sistêmico Myrna Nascimento traz para Belo Horizonte o primeiro curso de formação em Psicogenealogia oferecido no Brasil, com a pioneira e especialista em Psicogenealogia, Drª Monica Justino. O curso é certificado pela Association Internationale de Psychogénéalogie – AIP, na França.


Os objetivos da formação são:

· Capacitar a pessoa para utilizar a Psicogenealogia na sua prática de atendimento.
· Apresentar os conceitos da Psicogenealogia;
· Aprofundar o autoconhecimento;
· Proporcionar a pessoa realizar relações entre a história familiar e a vivência pessoal;

Início: março 2018
Inscrições abertas até 20/02/2018
Não perca!

Para maiores informações e inscrição clique aqui 👉 http://bit.ly/2jfT812


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Por que chegar cedo ou atrasado diz mais sobre sua personalidade do que você pensa


Você pode achar que aquele colega que sempre chega atrasado ao trabalho seja simplesmente mal-educado. Mas o problema tem mais a ver a com a psicologia do que com modos. Ao menos é o que diz a ciência.

Ninguém gosta de esperar, mas é muito comum que em um grupo de amigos sempre existam dois tipos de pessoas: os que esperam e os que se atrasam.

A falta de pontualidade é muito mal vista na cultura ocidental, especialmente no campo profissional, mas cientistas afirmam que aqueles que chegam tarde de maneira crônica não o fazem de propósito - eles podem, na verdade, ter um problema.

Alguns pesquisadores acreditam que chegar cedo ou tarde seja um comportamento psicológico com origem em alguma parte do cérebro, mas, segundo alguns especialistas, é algo que também demonstra traços de personalidade.

Os atrasados

Em uma entrevista recente à BBC, o psicólogo social e escritor britânico Oliver Burkman afirmou que os que chegam tarde são pessoas controladoras.

"Querem estar no controle da situação, ser o centro das atenções ao chegar", disse.

Segundo Burkman, "longe de ser um sinal de arrogância e despotismo, leve em consideração que há pessoas acostumadas a ter suas vontades realizadas desde pequenas, devemos ser mais empáticos".

"Há algo de tocante nessa necessidade de chamar atenção, e de não se sentir bem se não a receber."

Mas outros estudos científicos citam outros motivos, como a falácia do planejamento.

Uma pesquisa do Departamento de Sociologia da Universidade de San Diego (Estados Unidos) afirma que as pessoas que sempre chegam tarde são mais otimistas com o tempo que têm para realizar uma tarefa.

Nesse sentido, Diana DeLonzor, especialista em administração de tempo, disse ao jornal americano The New York Times que há dois tipos de pessoas que estão sempre atrasadas:

- Os acelerados: aquelas pessoas que gostam da adrenalina de deixar tudo para a última hora.

- Os produtores: são os otimistas que acreditam poder fazer muito mais do que podem em certo prazo.

Delonzor acredita que as pessoas que chegam tarde também compartilham algumas características: são positivas e criativas, mas também pouco realistas.

Os pontuais

Para a especialista, quem sempre chega na hora simplesmente tem mais autocontrole e melhor percepção do tempo.

"São mais cautelosos e frequentemente se imaginam nos piores cenários, por isso precisam de tempo suficiente para solucionar os problemas que possam aparecer."

Essas pessoas também tendem a procrastinar menos. Ou seja: não adiam as coisas.

Em entrevista à BBC, o psicólogo Oliver Burkman também apontou alguns traços negativos de ser excessivamente pontual.

"Às vezes, chegar muito cedo demonstra uma preocupação excessiva e uma vontade de querer agradar os demais."

Ele lembra que as pessoas que chegam excessivamente cedo a um encontro muitas vezes se irritam por ter de esperar muito, mas recomenda "não culpar os demais por você ter chegado meia hora antes do combinado".

Especialistas em recursos humanos concordam que pontualidade é um fator importante na esfera profissional e custa dinheiro às empresas, embora alguns estudos sobre produtividade falem dos benefícios que as companhias podem ter com uma maior flexibilidade.

4 conselhos para ser mais pontual

Se chegar tarde o preocupa ou você está cansado de ouvir reclamações no trabalho ou em seu grupo de amigos, aqui estão quatro dicas de Delonzor para tentar ser pontual.

1. Tenha uma estratégia: proponha-se a trabalhar em uma tarefa um pouquinho todos os dias.

2. Calcule o tempo que suas atividades demandam, assim você será mais realista em relação ao tempo que leva para realizá-las.

3. Chegue antes, não na hora: se você planejar chegar exatamente na hora, provavelmente chegará tarde - então, tente chegar com antecedência.

4. Aproveite a espera: não é tão ruim - leve uma revista ou livro e leia algo. Ou simplesmente pense e reflita.



Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Palavras positivas podem fazer a diferença na sua vida


Seja na vida pessoal ou profissional, as pessoas recorrem a diferentes recursos para tirar forças nos momentos complicados e encontrar motivação. As palavras positivas podem ser uma alternativa, embasadas pela teoria da Psicologia Positiva. Saiba mais sobre essa corrente de pensamento e veja por que encontrar as palavras certas é tão importante.

A importância das palavras positivas

De acordo com a psicóloga Samantha Correia, integrante do núcleo de pesquisa em Psicologia Positiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o pensamento positivo tem impacto sobre as emoções e o comportamento do indivíduo diante das situações da vida.

Isso se explica por que, frente a uma mesma situação desafiadora, por exemplo, as pessoas agem de formas diferentes. Enquanto algumas conseguem se sentir motivadas e apresentar um bom desempenho, outras se sentem amedrontadas ou incapazes, não atingindo os resultados esperados.

“Tudo isso tem a ver com o pensamento que a pessoa tem de si mesma e da situação que está enfrentando”, destaca a especialista. Lutar contra os pensamentos negativos, questionando sua veracidade e substituindo-os por ideias mais realistas e positivas, faz com que o indivíduo se sinta mais adaptado, capaz e, consequentemente, motivado perante os desafios da vida.

Algumas pessoas têm mais facilidade de estimular os pensamentos positivos e combater a negatividade. Já outras podem precisar de ajuda profissional. Mas onde será que as palavras positivas entram nessa história?

De acordo com Samantha, o resultado vai depender do histórico de vida e das características de cada pessoa. Ainda assim, termos de cunho positivo podem e devem ser repetidos várias vezes para afastar os pensamentos negativos.

Por exemplo, se você acredita que não conseguirá ser um bom profissional, pode procurar uma forma mais adaptada de pensar sobre isso, como "ter pessoas que lembrem frequentemente de sua capacidade, mostrem seus acertos e falem palavras positivas”, cita a psicóloga. “Pode ser lido e repetido por você várias vezes durante o dia para se combater aquele pensamento inicial", completa.

Saiba mais sobre a Psicologia Positiva

Trata-se de um movimento relativamente recente, iniciado de forma estruturada em janeiro de 2000, com um artigo dedicado ao tema escrito por Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi. A principal preocupação é estudar os aspectos positivos do ser humano, os processos que contribuem para seu florescimento e, ainda, o que faz a vida valer a pena.

Segundo os pesquisadores considerados pais da Psicologia Positiva, o campo pode ser explicado em três níveis, também conhecidos como pilares: subjetivo, individual e grupal.

O nível subjetivo diz respeito às emoções positivas como, por exemplo, o bem-estar e a satisfação em relação a experiências do passado. Também entram nesse grupo a esperança e o otimismo vivenciados com relação ao futuro e a felicidade vivida no presente.

Coragem, espiritualidade, sabedoria e perdão são exemplos de traços individuais positivos e, por isso, estão no nível individual. No nível grupal, por sua vez, estão as virtudes cívicas, como altruísmo, tolerância e responsabilidade.


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Na mídia!

Depressão

Foi sobre esse tema que falei em entrevista ao Jornal da Itatiaia na tarde de ontem e logo, logo irá ao ar. Aguardem!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Terapia cognitivo-comportamental reinterpreta emoções negativas do paciente


Se entender aos outros é tarefa árdua, entender a si mesmo é ainda mais complicado. Quem nunca questionou sua posição diante de uma situação complicada? Ou tentou entender o que lhe fez tomar determinada atitude? É para resolver esses dilemas que a psicologia criou a terapia cognitivo- comportamental, que ajuda os pacientes a encontrar as soluções para as dúvidas que os afligem.

Como age a terapia cognitivo-comportamental

Desenvolvida pelo psicólogo Aaron Beck, a terapia cognitivo-comportamental tem uma grande vantagem sobre os demais tipos de tratamento: é rápida. O tempo total da terapia dura cerca de seis meses, período no qual o profissional trabalha para encontrar estratégias que tornem mais fácil a tarefa de lidar com o sofrimento.

O princípio de funcionamento dessa terapia é a reinterpretação dos elementos que causam emoções negativas no paciente. A abordagem do tratamento se baseia na ideia de que as situações não são responsáveis por determinar as emoções e o comportamento das pessoas. O que importa é a interpretação que é dada ao fato em questão.

A terapia cognitivo-comportamental é um método de trabalho objetivo, que busca uma reestruturação rápida e eficaz do pensamento do paciente. A técnica utiliza associações com fatos passados, mas tem como foco o presente. Isso porque, de modo geral, os problemas que incomodam a pessoa e que permitem uma ação mais eficiente são aqueles que acontecem no dia a dia.

Pontos utilizados pela terapia cognitivo-comportamental

A teoria dessa terapia é baseada em cinco pilares principais, que ajudam o terapeuta a compreender a realidade dos acontecimentos e aflições que atingem o paciente. É através do conhecimento desses detalhes que o profissional consegue traçar um plano de ação para que a pessoa se sinta mais à vontade para falar do assunto e mais preparada para lidar com ele.

O primeiro dos pontos a serem conhecidos é o ambiente em que a situação está ocorrendo, pois isso ajuda a entender o quanto o problema pode afetar o paciente. Dificuldades encontradas no âmbito profissional, por exemplo, não atingem tanto a maioria dos pacientes quanto os dilemas sofridos no ambiente familiar, com pais, cônjuges e filhos.

Outra especificidade abordada pela terapia cognitivo-comportamental é a forma como a pessoa se sente com relação ao fato que a incomoda. Isso ajuda a diagnosticar as possíveis doenças que a situação pode desencadear. A sensação de inutilidade, por exemplo, é porta de entrada para casos de depressão.

As emoções sentidas pela pessoas também são analisadas, como irritabilidade, tristeza ou pânico. A terapia cognitivo-comportamental leva em conta também as reações físicas do paciente. Grande parte das pessoas apresenta insônia e suor excessivo. O quinto fator observado é o comportamento da pessoa. As atitudes tomadas diante da situação que a aflige são essenciais para o tratamento.

A terapia só pode ser aplicada por psicólogos e psiquiatras especializados na área, portanto, certifique-se sobre a preparação do profissional que você procurar. Faça uma avaliação do seu caso e descubra se essa modalidade de terapia pode lhe ajudar.


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Veja como é o uso da hipnose como terapia


Estar em estado de hipnose significa entrar em um estado de profundo relaxamento, fazendo com que o paciente fique mais aberto a sugestões. Essa técnica tem feito sucesso como terapia, alegadamente ajudando na autoestima, a mudar hábitos e aliviar o estresse, a melhorar a memória e a modificar problemas comportamentais. Mas você sabe como ela funciona?

Entenda o que é a hipnose

A hipnose é um mecanismo mental e totalmente explicável pela ciência. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o paciente não dorme, não fica inconsciente e nem perde o controle sobre as suas ações.

Quando ele está em estado hipnótico, ocorre um bloqueio parcial da ação consciente da mente, ou seja, o senso crítico, que controla tudo o que a pessoa faz, fica diminuído, mas a consciência continua ativa.

É possível entrar nesse estado até mesmo sozinho, em momentos do dia a dia. Quando você fica focado em algo a ponto de nem escutar quando lhe chamam, por exemplo, você está em uma espécie de hipnose.

Em casos como esse, a concentração é tão grande que tudo que está ocorrendo em volta acaba sendo bloqueado da percepção. Isso acontece porque a mente entra em um estado alterado de consciência, mas que mantém a pessoa presente.

Qualquer pessoa pode ser hipnotizada, até mesmo crianças. O processo pode ser feito desde que o paciente tenha a capacidade de direcionar sua mente para um foco específico.

Veja como funciona a terapia

A hipnose é usada para acelerar o processo de terapia e assim encurtar o tempo de tratamento de um paciente. A quantidade de sessões e o tempo do tratamento variam de acordo com cada caso.

Como prática médica, a hipnoterapia leva o paciente para outro estado mental, através da indução hipnótica. O terapeuta utiliza estratégias de comunicação que levam a pessoa a aceitar as suas sugestões com mais facilidade. Com isso, é possível resolver problemas emocionais ou mesmo doenças psicossomáticas, que são problemas orgânicos de origem psíquica.

Quando são hipnotizadas, as pessoas conseguem alcançar e expressar sentimentos mais profundos. Durante a sessão, o paciente é conduzido a um estado de transe de atenção altamente concentrada. Nesse momento, ocorrem alterações cerebrais que tornam as pessoas mais capazes de alterar as suas percepções.

É importante ressaltar que a hipnose não cura doenças, apenas alivia os sintomas. Ela pode ser usada como terapia complementar de diversos tratamentos.

Problemas tratados com a hipnose

A hipnose como terapia pode ser utilizada para todas as dificuldades relacionadas à mente. Os principais casos tratados são as fobias, a depressão, a síndrome do pânico, algumas dificuldades sexuais, a ansiedade e o estresse. Ela também pode trazer benefícios para distúrbios orgânicos, como gastrite, enxaqueca, alergia e outras doenças causadas por questões emocionais.

As sessões são recomendadas para todas as pessoas que estiverem disponíveis e abertas a serem hipnotizadas. Mas é de extrema importância encontrar um profissional ético, que respeite os limites de cada paciente. Isso é essencial para que a técnica traga resultados positivos.

A hipnose está regulamentada no Brasil desde 2000, a partir de resolução publicada pelo Conselho Federal de Psicologia. A prática é considerada como terapia de recursos complementares e auxiliares da Psicologia.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

O verdadeiro poder das expectativas na sua felicidade


Em 1963, o psicólogo Robert Rosenthal publicou um artigo na revista American Scientist mostrando como as expectativas dos pesquisadores podiam afetar os resultados dos experimentos. O texto indicava que esse tipo de profecia auto-realizável também estaria presente nas escolas, onde as expectativas que os professores têm sobre os alunos poderiam influir no seu rendimento acadêmico. Ao ler isso, Lenore Jacobson, diretora de uma escola pública da Califórnia, entrou em contato com Rosenthal. Poucos anos mais tarde, ambos assinaram um dos estudos psicológicos mais importantes da década, Pigmalião na Sala de Aula, replicado em inúmeras ocasiões com resultados similares.

Com o mito de Pigmalião em mente, Rosenthal e Jacobson tentaram analisar de que maneira as expectativas dos docentes poderiam influir nos alunos. Para isso, avaliaram 320 estudantes de seis cursos de uma escola da Califórnia, que passaram por um teste de inteligência. Após verem que não havia grandes diferenças entre eles, os cientistas selecionaram por acaso 65 desses alunos, sobre os quais deram relatórios falsos aos professores: indicaram que esses alunos tinham obtido resultados extraordinários na prova de inteligência, claramente acima da média, e que deles era possível esperar muito. Dos demais alunos, simplesmente não disseram nada. Terminado o curso, repetiram a mesma prova de inteligência com todos os estudantes – e observaram como aqueles que haviam sido falsamente rotulados de “mais inteligentes” mostraram aumentos no coeficiente intelectual bastante superiores em relação aos demais. E isso era ainda mais evidente nos garotos mais novos.

O que aconteceu durante aquele ano para que os alunos, inicialmente iguais aos demais, acabassem despontando nos testes de inteligência? Simples: as expectativas que seus professores tinham sobre eles se transformaram em realidade. Mas não há nada mágico ou místico nisso. Como os autores do estudo observaram, contar com essa informação fazia com que os professores dessem, inconscientemente, um tratamento diferente a tais alunos. Sorriam com mais frequência para eles, mantinham o contato visual por mais tempo e demonstravam elogios de forma mais clara.

Com o passar dos anos, essa mensagem se instalou na cultura popular. O movimento new age se apropriou dessas ideias, criando o mito de que o poder da mente é praticamente infinito: bastaria desejar algo com a força suficiente para que se transformasse em realidade. Paulo Coelho expressou essa ideia assim: “Quando você quer realmente uma coisa, todo o Universo conspira para que realize o seu desejo.” Nessa linha, mais próxima do esoterismo que da psicologia científica, está a denominada “lei de atração” abordada por livros famosos como O Segredo, de Rhonda Byrne. Mas essas interpretações tão exageradas do Efeito Pigmalião podem ter inclusive o resultado contrário por levarem à inação e, com ela, ao fracasso. O poder das expectativas é limitado. Não basta desejar algo ardentemente para que o Universo conspire a nosso favor. O Universo não fará nada por nós se não levantarmos do sofá e criarmos as condições necessárias para que a mudança ocorra. Essa mensagem fomenta o que nós, psicólogos, chamamos de um “locus de controle externo”. Os que têm esse locus de controle externo percebem que os eventos acontecem com eles como resultado do acaso, do destino, da sorte. Ou pelo poder e as decisões dos outros. Não sentem que têm o controle de sua vida. Estão à mercê da sorte, do destino ou, nas palavras de Paulo Coelho, do Universo. Desse modo, é mais provável que adotem uma atitude passiva ante a adversidade.

Estudos recentes, como o publicado por Piqueras, Rodríguez e Rueda em 2008, observam que “as pessoas que se sentem convencidas de que logo encontrarão trabalho reduzem de maneira significativa suas probabilidade de continuarem desempregadas”. A diferença entre os que têm expectativas positivas e negativas chega a ser de até 14 meses. Ok, mas se não é o Universo que conspirou para que essas pessoas otimistas encontrassem emprego, o que aconteceu?

As expectativas não servem para nada se não vêm acompanhadas de ações. São as nossas decisões e ações que geram as condições necessárias para os acontecimentos. Os alunos daquele colégio da Califórnia que foram rotulados como os “mais inteligentes” receberam uma atenção privilegiada por parte dos professores, o que lhes permitiu um melhor desempenho acadêmico que o dos colegas. Aquelas pessoas do estudo de Piqueras e colaboradores que encontraram emprego mais rápido devido às suas expectativas positivas conseguiram isso porque tais expectativas as levaram a adotar uma estratégia mais ativa na busca de emprego do que as que pensaram que não eram preciso fazer nada.

Por trás de cada pessoa que toma remédio homeopático e “funciona”, também estão as expectativas: chamamos de “efeito placebo” a remissão de sintomas produzida pelo consumo de uma substância inativa, por causa da fé que a pessoa tem na eficácia do remédio. É um efeito tão potente que qualquer pesquisa científica que envolva a administração de um tratamento deve tê-lo em conta para que as expectativas, tanto de quem realiza o experimento como de quem toma o fármaco, não interfiram no resultado. É o que se conhece como “estudos duplo-cego”, em que a metade dos participantes recebe uma droga “real” e a outra metade, um placebo (substância inativa com o mesmo aspecto da autêntica). Nem os pesquisadores nem os participantes do estudo sabem quem está tomando o fármaco ou o placebo. Ambos são “cegos” quanto a essa informação. Ao analisar os resultados, a ação do medicamento real deve ser superior à do placebo para que se possa afirmar que é efetiva.

Com esses exemplos, aprendemos que a biologia também está muito envolvida nesse fenômeno: as expectativas que temos na hora de enfrentar determinada tarefa influem em nosso nível de atividade cerebral – que, por sua vez, influi em nossas chances reais de sucesso ou fracasso. Isso foi observado em 2010 por um grupo de neurologistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Eles descobriram que o nível de esforço cerebral de um indivíduo ante uma tarefa depende de sua proximidade pessoal em relação a ela. Ou seja: se acredita que terá sucesso ou que vai fracassar. Os otimistas (aqueles com expectativas positivas) mostram mais atividade na zona cerebral chamada córtex parietal posterior que os pessimistas. E, quanto maior for a atividade nessa região, maior a chance de resolver com sucesso a tarefa encomendada.

Assim, acreditar que teremos um mal dia nos produzirá um estado emocional necessário para que isso aconteça. Pensar que uma relação não vai funcionar nos impedirá de empreender o esforço necessário para que funcione. E vai mesmo dar errado. Lembre-se: esse poder não é mágico nem místico. Tem muito a ver com os recursos que mobilizamos para conseguir nossas metas.

O mito de Pigmalião

A mitologia grega diz que Pigmalião era um príncipe que, procurando a mulher perfeita para se casar, decidiu esculpi-la numa pedra. Noite e dia, entalhava a rocha para adaptá-la à imagem que ele tinha em sua mente da mulher ideal. Tanto fez que acabou se apaixonado por sua própria criação, que chamou de Galateia. Tamanho era seu o amor que a deusa Vênus teve pena dele e deu vida à estátua. E os desejos de Pigmalião se tornaram realidade.


Fonte: EL PAÌS