terça-feira, 7 de julho de 2015


10 erros que os pais cometem ao colocar os filhos para dormir
Publicado na Revista Crescer 





Como todos os comportamentos do ser humano, o sono precisa ser ensinado ou condicionado. Criar certos hábitos pode acostumar mal a criança ou aumentar sua dependência dos pais. Listamos os principais erros que os casais cometem quando o assunto é hora de dormir:

Não ter rotina

Criança gosta e precisa de repetição para se sentir segura. O ideal é que a hora de ir para a cama seja precedida pelas mesmas ações, todos os dias.

Atividades agitadas

O ideal é que essa rotina não inclua atividades que vão deixar o pequeno ainda mais desperto, como brincadeiras que envolvem movimentação física e programas de televisão que deixam a criança agitada ou com medo. Entre as atividades relaxantes, estão tomar banho e ler um livro.

Colo

Um dos erros mais comuns é ninar o filho e deixá-lo adormecer no colo dos pais. As crianças devem dormir diretamente onde vão acordar, porque ao despertarem na madrugada, há grande chance de estranharem o berço e chamarem a pessoa que as fez dormir. O mais indicado é dar um beijo de boa-noite e levar a criança ainda acordada para o berço. Os pais deixam o quarto e, se ouvirem choro, voltam alguns minutos depois para que ela percebe que ninguém a abandonou. Aos poucos, o bebê se acalma e aprende a dormir sozinho.

Ninar pela casa

Nada de perambular com a criança pela casa no carrinho de bebê, colocar o bebê- conforto sobre a máquina de lavar ou passear de carro com o pretexto de fazer a criança dormir. Ela não precisa ser chacoalhada para pegar no sono. A dica é dar uma fraldinha ao seu filho, que ele se auto ninará.

Levar para dormir na cama dos pais

Se a criança acorda assustada ou chama pelos pais de madrugada, os adultos precisam dar atenção. Mas, no quarto dela. Isso porque ceder aos pedidos em um dia transmitirá a mensagem de que a criança pode insistir sempre. Se seu filho for direto para sua cama, você até pode deixá-lo ficar um pouquinho, mas leve-o de volta para o quarto dele quantas vezes forem necessárias. Compartilhar a cama com frequência atrapalha o sono da família, não incentiva a independência da criança e prejudica a intimidade do casal.

Luz acesa

É comum crianças terem medo do escuro, mas deixar a luz acesa altera a produção do hormônio melatonina, que induz o sono. Se seu filho estiver com medo, converse sobre os motivos da insegurança, explicando que não há razão para temer. Para acalmá-lo, deixe uma tomada de luz baixa, que ilumina o caminho, caso ele acorde de madrugada. Luz de cor azul tem efeito calmante. Para as crianças que não se importam, o melhor é apagar todas as luzes.

Deixar a TV ligada

Além de o som e a luz prejudicarem a qualidade do sono, ele precisa aprender a pegar no sono sozinho.

Dar comida de madrugada

Os médicos dizem que a alimentação durante a noite é uma das coisas que mais atrapalham o sono. Se a criança tem fome, os pais devem verificar se a alimentação no restante do dia ou na última mamada da noite está sendo suficiente.

Irritação

Nada de inventar situações negativas em relação ao sono, como bicho-papão. Ficar bravo ou irritado na hora de colocar os filhos para dormir também é ruim, pois eles começarão a associar esse momento a algo negativo.

Evitar as sonecas diurnas para melhorar o sono da noite

As sonecas diurnas são necessárias até um período da vida da criança. Normalmente, esse sono se divide em duas etapas: de manhã e depois do almoço. À medida que seu filho cresce, a necessidade de dormir enquanto o sol está no céu diminui.


Fontes: Gustavo Moreira, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Márcia Hallinan, neuropediatra e coordenadora do setor infantil do Instituto do Sono (SP); Renata Soifer Kraiser, psicóloga; Alaides Olmos, neurologista especialista em sono do Hospital Pequeno Príncipe (PR); Jodi Mindell, diretora-associada do centro do sono no Hospital infantil da Filadélfia e da National Sleep Foundation (EUA) 

quinta-feira, 19 de março de 2015

O que significa dizer que uma pessoa é assertiva?

"A assertividade ou autoafirmação é um processo de aprendizado que se inicia na infância"


Costumamos dizer que uma pessoa é assertiva quando ela é capaz de assegurar com firmeza e decisão aquilo que diz e faz. A assertividade pode ser equiparada à autoafirmação e a segurança em si mesma.
O indivíduo assertivo tem uma consciência clara de quais são seus direitos, os faz valer e não permite que sejam violados.

Por outro lado, o indivíduo pouco ou nada assertivo não tem muito claro onde terminam seus direitos e onde começam os do próximo, e por isso cede terreno e se deixa manipular pelos demais. Não confiando em suas próprias forças ele geralmente não luta, se sente derrotado por antecipação, foge das discussões convencido de seu fracasso, sentindo-se débil frente aos outros. Tende a estancar-se na vida por temor ao risco que implica uma mudança e chega a acomodar-se às situações mais incômodas para não se expor.

No trabalho pessoas pouco assertivas costumam, via de regra, serem exploradas por chefes e companheiros, assumindo tarefas e obrigações que não lhe concernem. Tudo isso por medo de enfrentá-los, reivindicando o mínimo que seja. No terreno afetivo costumam ser vítimas de chantagens contínuas. Seu maior medo é não serem queridas e, na ilusão de manterem o afeto alheio, se deixam manipular com grande facilidade.

A assertividade ou autoafirmação é um processo de aprendizado que se inicia na infância: a criança recebe a segurança através de seus pais ou protetores. São eles que decidem o que ela deve ou não fazer, delimitando seus direitos e obrigações e, ao mesmo tempo, protegendo-a dos perigos externos. Quando educada adequadamente, a criança aprende a renunciar a alguns de seus desejos, percebendo de que nem tudo no mundo lhe pertence e que deve respeitar os outros. Aprende também estimar e defender o que é seu como algo merecido. Ela poderá então ser preparada para tomar decisões próprias e ser consequente em seus atos.

Uma educação repressiva, que não lhe proporcione oportunidades, a faz crescer em um clima de medos e indecisões, podendo converter-se em um adulto ancorado na infância, que necessita constantemente de um protetor para resolver seus problemas e que acaba anulando seus próprios direitos, em virtude de não exercê-los.

A superproteção da criança também é prejudicial, pois é preciso que ela aprenda com seus erros para corrigir sua conduta e possa perceber os perigos que a cercam por experiência própria. Isso com uma adequada supervisão de seus educadores, para que tal experiência não seja excessivamente perigosa.

O desenvolvimento da assertividade começa na convivência no seio familiar e se prolonga durante os anos escolares, onde a criança deve aprender a defender seus direitos frente a companheiros e amigos. Isso lhe permitirá chegar firme à adolescência, habilitada a impor sua personalidade quando for necessário. Caso contrário, adotará frequentemente alguma postura negativa, como isolamento social, convertendo-se em um ser solitário e incapaz de relacionar-se com os outros por puro medo, ou buscará refúgio no grupo, perdendo sua identidade e critérios próprios dentro do "rebanho".

quinta-feira, 12 de março de 2015

Quando a licença-maternidade acaba


A volta da licença-maternidade dá frio na barriga e gera ansiedade. Algumas mães não conseguem mais se imaginar longe do filho. Outras sentem falta do trabalho. Mas o que a maioria tem em comum é a dúvida: como vai ser daqui pra frente? Será que vai dar certo voltar a trabalhar? 

No meio do impasse, uma boa decisão é voltar. Para experimentar e ver no que vai dar. Às vezes, a gente cria um monstro na cabeça, acha que vai dar tudo errado e depois vê que estava completamente enganada. Pode ser também que você veja que o seu trabalho não é mais o que combina com sua nova vida. Porém, pelo menos, você foi lá, testou e então pôde tomar uma decisão consciente.

Com quem deixar o bebê? Nessa hora, melhor não seguir o que deu certo com as amigas, mas sim o que cai bem no seu coração. Deixe com quem você se sentir mais confortável e segura. Afinal, é bem provável que fique preocupada com o bebê durante o dia fora, mas se não estiver segura da sua escolha, essa preocupação vai pesar mais.

Se eu puder dar um último pitaco...

Sugiro evitar o fantasma da culpa (como se fosse fácil, mas vai lá e tenta!), que muitas vezes é um reflexo daquela vontade de ser uma mãe onipresente e perfeita.

Você vai descobrir que nossos filhos precisam da mãe, mas também podem criar laços e se relacionar com outras pessoas. O vínculo com você não se quebra com a volta ao trabalho. Aliás, vínculo com a mãe é forte demais para ser quebrado!

Você já percebeu que sua vida se transformou desde o momento que o seu filho nasceu. E esse é só o começo. A boa notícia é que você vai se tornar uma pessoa melhor - e até mesmo uma profissional melhor. Porque a maternidade é de fato uma das oportunidades mais bacanas de a gente se tornar uma pessoa melhor.

Começa assim, com você aceitando os desafios para ser mãe nessa vida moderna em que a gente quer um pouco de tudo. Vai dar tudo certo. E você vai achar o seu jeito de fazer. Com amor, sempre dá certo!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Mãe deve dar espaço e valorizar a forma como o pai cuida do bebê



Após o parto, a mulher entra em um processo chamado de identificação primária e vai ficando cada vez mais sensível às necessidades do filho. O processo é tão intenso que muitas mães também se mostram apreensivas e resistem a deixar o bebê aos cuidados de outras pessoas, ainda que a oferta de apoio venha do pai da criança.

Boa parte da insegurança materna é fruto do desejo de prosseguir sentindo-se indispensável para esse ser pequenino. Mas a participação paterna é tão importante para o bebê quanto para a mãe que, menos sobrecarregada, pode aproveitar melhor esse novo estágio da vida em família.

O pai tem um papel específico e importante nesse primeiro momento de vida de seu filho, que consiste em sustentar emocionalmente a mulher.

O desgaste físico do pós-parto soma-se ao cansaço ocasionado pelos cuidados constantes com o bebê. É o suficiente para que a mãe acabe se esquecendo de si mesma, do marido e do resto da família. Aos poucos, essa situação pode se tornar estressante demais. Resultado: a disposição cai e os relacionamentos –com o bebê e o parceiro– ficam altamente prejudicados.

Fora isso, a volta ao trabalho é uma realidade para a maioria das mulheres. E o processo de retomada da vida profissional será mais fácil à medida que a mãe perceber que pode contar com uma rede de apoio, com pessoas que saberão cuidar do bebê quando ela precisar se ausentar, incluindo o pai.

Se o bebê se acostuma com os pais cuidando alternadamente dele, além de se sentir mais seguro, terá melhor qualidade de vida, principalmente no que diz respeito aos aspectos emocionais.

Para colher os benefícios para si e para o bebê, o primeiro passo é a mãe adquirir consciência dos próprios limites e valorizar a capacidade do pai –mesmo o de primeira viagem– de oferecer todo tipo de cuidado e atenção necessários à criança.

Se a mãe faz parecerem muito complicados os cuidados com o recém-nascido, não reconhece as habilidades do pai e ainda banca a supermãe, nenhum homem em sã consciência vai se aventurar a participar desse momento.

Nesse caso, os prejuízos serão significativos, de acordo com a profissional. Perde-se a possibilidade de estreitamento de vínculo entre pai e filho; a oportunidade de o casal desenvolver cuidados familiares juntos, o que fortalece a relação a dois; e a melhoria do equilíbrio emocional da mulher, como pessoa, mulher e mãe.
Divisão de tarefas

Evitar tantas consequências negativas é possível, mas, para isso, é fundamental que o casal se acostume a dividir todas as experiências relacionadas ao filho, desde a gestação. Já nessa fase é importante que os futuros pais conversem a respeito de suas expectativas, medos e das mudanças que a criança vai trazer à rotina do casal.

Discutir as necessidades do bebê, como pretendem se organizar para supri-las e qual a disponibilidade emocional e prática de cada um é essencial para garantir que o filho tenha bases sólidas para o seu desenvolvimento físico e psíquico.

O pai pode participar de todo o pré-natal, acompanhando a mulher em consultas sempre que possível e cuidando do bem-estar dela. Delegar certas tarefas ao pai, antes mesmo do nascimento do bebê, como pintar o quarto ou montar algum móvel, é algo extremamente positivo. Iniciativas como essa contribuem para o desenvolvimento da paternidade e ajudam a aproximar ainda mais a família.

Após o nascimento do bebê, o pai também pode auxiliar nas mais variadas tarefas, muito além da troca de roupa e de fralda. Ele pode dar banho, preparar o bebê para mamar, pode fazê-lo arrotar ou niná-lo quando acordar no meio da madrugada, poupando a mãe. No início, a mulher pode acompanhar o pai nesses cuidados. Com o tempo e a partir da parceria e do diálogo, a insegurança materna tende a diminuir.

A principal recomendação é evitar críticas exacerbadas à maneira como o pai executa as suas tarefas de rotina. O homem aprenderá mais se a mulher dividir com ele as descobertas sobre o bebê e se indicar o que já percebeu que o filho gosta, por exemplo, o jeito de ser manipulado no banho ou na hora em que precisa conciliar o sono e não consegue.

Todo mundo precisa de um modelo e de muito treino para adquirir autoconfiança em uma situação nova. E, nesse meio tempo, muitas fraldas ficarão mais ou menos mal colocadas. Mas se o ambiente entre os pais for afetuoso e a criança receber atenção e carinho, ela certamente não terá do que reclamar.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Grupo de Mulheres e suas Relações Co-Dependentes

Ainda não se inscreveu?


Estamos prorrogando o período de inscrições até o final do mês e início do curso, em Abril. Aproveite!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Cicatrizes na adolescência


As exigências e pressões constantes, decorrentes da sociedade contemporânea, refletem-se no aumento do stress psicológico nos adolescentes, que, a par de uma história de tristeza intensa e prolongada, de alterações no sono e no apetite, falta de esperança na vida e nos outros, pode culminar no desencadeamento de comportamentos autodestrutivos. A adolescência é um período primordial de risco para o desenvolvimento desses comportamentos.

Estudos indicam que a automutilação (um tipo de comportamento destrutivo) nos adolescentes é uma tentativa de estes minorarem a dor psicológica, mediante o provocar da dor física. A agressão ao seu próprio corpo através de cortes, queimaduras, entre outros, ocorre frequentemente após a vivência de uma emoção forte que o adolescente não consegue gerir de forma ajustada, usando este meio como forma de controlo das suas emoções. É como se, ao automutilar-se, a dor psicológica, por vezes insuportável, seja menos dolorosa. A automutilação é, na maior parte das vezes, vivida longe de tudo e de todos, em espaços como o quarto ou a casa de banho, que habitualmente os adolescentes consideram como sendo seguros e isolados de possíveis olhares.

Nem sempre é fácil descobrir que o adolescente se automutila, dado que tenta esconder as lesões, por vergonha e medo de revelar o que faz. Contudo, no caso de se dar a descoberta, é importante que se valorize o que se está a passar, ainda que este tema seja difícil de abordar pelos pais. Com a ajuda das novas tecnologias surgem com frequência notícias sobre estes comportamentos, e que podem ser utilizadas para perceberem a opinião dos vossos filhos sobre este problema, para demonstrarem compreensão e respeito pelo sofrimento dos jovens e mostrarem que é necessária a intervenção de médicos, psicólogos ou pedopsiquiatras no sentido de ajudarem a ultrapassar o problema, para o qual existe solução. Coloque-se no lugar do adolescente para o entender, sem criticar, promovendo uma maior proximidade e sentimento de segurança nele. E esteja atento a este problema que afeta tantos adolescentes na nossa sociedade, nunca se sabe: um deles pode estar mesmo ao seu lado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Medo de envelhecer pode ser um problema; entenda a gerontofobia



O envelhecimento faz parte do desenvolvimento do ser humano. Porém, para algumas pessoas, estar perto de idosos ou identificar em si mesmo marcas de que o tempo está passando –como rugas– pode ser assustador. A gerontofobia caracteriza a rejeição à velhice e, consequentemente, aos que que estão passando por ela.

De acordo com Marcos Paulo Betinardi, psiquiatra do Instituto Abuchaim, em Porto Alegre (RS), os motivos que levam a essa recusa variam muito, já que dependem das experiências do indivíduo com a velhice e de como o idoso é tratado por quem está a sua volta ao longo dos anos.

A psicanalista e membro da SBPRJ (Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro) Maria Cristina Amendoeira cita o romance "O Retrato de Dorian Gray" (1890), de Oscar Wilde, para explicar esse temor: na história, um retrato do protagonista "envelhece", enquanto o próprio Dorian Gray se mantém jovem."Um dos temores do ser humano é a morte, e a velhice é um prenúncio dela. Ao ver esse estágio da vida se aproximar, a pessoa percebe que há finitude e começa a negá-la, tentando não deixar que isso aconteça com ela, seja com exercícios físicos ou cirurgias plásticas, por exemplo", diz. 

Ainda, sem registro no CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), a gerontofobia não é considerada diagnóstico. No entanto, é possível percebê-la na conduta do indivíduo.
É colocada como fobia porque é um medo excessivo e desproporcional ao risco oferecido por tal coisa. No caso, o envelhecimento. Pessoas que discriminam idosos, que estão preocupadas demais com a aparência, adultos que se comportam como jovens são exemplos. É claro que não podemos generalizar, pois um conjunto de fatores é que vai determinar se o que você tem é gerontofobia ou não.

Não existe uma idade para despertar esse sentimento, que é inconsciente. Mas, a partir de certos momentos, quando começa-se a perder pessoas próximas ou mesmo quando nota-se os próprios pais envelhecerem, e isso significa o próprio envelhecimento.  É o fim da ilusão de que a vida é eterna. Muitas pessoas não sabem lidar com as mudanças que cada fase traz, começam a pensar de forma fixa em como será a sua velhice, e é aí que está o problema.

Apesar de não existir uma idade certa para a fobia se manifestar, alguns acontecimentos podem influenciar.

Mulheres que estão perto dos 30 anos e ainda não casaram ou tiveram filhos começam a se achar velhas. Já para os homens, esse sentimento vem pelo lado profissional, quando não conseguem o status desejado. O que as pessoas precisam entender é que o que conta é o estado de espírito de cada um. Precisamos nos sentir ativos, sempre com algo a oferecer e compartilhar, seja com 30, 60 ou 90 anos.

Assim como a maioria dos traumas e doenças psicológicas, o medo de envelhecer também só é caracterizado como um problema quando existe prejuízo psicossocial progressivo. Ou seja, quando a preocupação em ficar velho atrapalha a vida e prejudica o indivíduo.

Segundo os especialistas, o estigma ligado às pessoas mais velhas está diretamente relacionado à gerontofobia. "Basta observar como os idosos são tratados nas diversas partes do mundo. No oriente ou em tribos indígenas, por exemplo, são sábios; já no ocidente, são vistos como pessoas que dão trabalho, lentas...Isso tudo gera recusa porque ninguém que passar por isso", diz Betinardi.

Diante de um cenário de medo de chegar à terceira idade, é preciso observar que, além de ser uma etapa do ciclo da vida, entrar na velhice traz mudanças, assim como qualquer outra passagem, como, por exemplo, da infância para adolescência, e assim por diante.

"A primeira vantagem que devemos perceber é que se chegamos à velhice, é porque estamos vivos. Todos os momentos de passagem têm coisas boas e ruins. O envelhecimento traz questões para serem vividas, afinal, você, muitas vezes, abre mão de espaço no trabalho para pessoas mais jovens, aprende a valorizar outros aspectos mais nobres do dia a dia e a cultivar mais as relações afetivas. E tudo isso só traz qualidade de vida", fala Maria Cristina. "É preciso saber envelhecer", completa.
Não deixar esse medo chegar

O conselho é não pular fases da vida. Com isso, você evita a angústia de sentir saudade de algo que não viveu.

Se você não vive plenamente cada momento, pode querer retornar e desenvolver um medo por não conseguir, afinal, aquele tempo já passou.

Para tratar a gerontofobia, não existe remédio. A terapia ajuda, mas existem ações práticas para entender e ver esse temor longe de você.

"Envelhecer não significa adoecer. Desde cedo, é preciso colocar crianças e jovens em convívio com as outras idades para perceberem que é uma coisa natural. Muitos jovens vivem como se nunca fossem ficar velhos. Essa convivência com as outras gerações também mantém o idoso ligado aos acontecimentos atuais e faz parte de um envelhecimento sadio", explica Maria Cristina.