terça-feira, 25 de março de 2014

DESAPEGO

Quem de nós nunca precisou passar pelo processo do desapego?

Quem nunca precisou desapegar das pequenas a grandes coisas, situações, lembranças, histórias, memórias, ou de pessoas?

Pessoas?

Há quem diga que desapegar de pessoas é mais difícil, ou que tem mais facilidade para deixar ir embora as coisas. Outros se apegam as pessoas como coisas, ou fazem das coisas suas pessoas.

De qualquer forma todos nós precisamos passar pelo apego para pertencer, para nos tornarmos gente e a-gente de uma história. E a medida que nos apegamos, a vida nos traz situações ora esperadas ora inesperadas, para aprendermos a Des-apegar, a soltar, a deixar ir, a liberar......

Mas, o que é isso? Passamos a vida inteira juntando, guardando, amontoando e achando que estamos fazendo história de vida, e depois você descobre ou percebe, ou nos vemos obrigado (quando não se tem consciência ampliada, e na maioria das vezes, não a temos para a situação exata do momento, por isso não entendemos muito bem o pra quê daquela vivência) a DES - APEGAR.

Em que eu acredito?

Des - apegar me torna mais humano ou mais divino?
Des - apegar me faz pertencer ao Outro ou a mim mesma?
Qual é o verdadeiro lugar do apego e do desapego na minha vida? E pra quê?

Como lido diariamente com a relação entre o apego X o desapego?

Por um instante ao escrever o que penso, necessitei me apegar as idéias, mas a partir do momento que lancei essas idéias no papel comecei a experimentar o exercício do desapego. A saber que nada nessa vida está em nossas mãos é para sempre!

Grande abraço a todos!!

Myrna Nascimento

quinta-feira, 6 de março de 2014



"Quando pai é pai, e filho é filho, quando o irmão mais velho desempenha o papel de irmão mais velho e o mais novo age de acordo com o papel de irmão mais novo, quando o marido é realmente marido e a esposa é realmente a esposa, então, existe ordem". (I. Ching )


"Princípio de saúde é via hierarquia..."


imagem: www.pontolluz.com.br

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Grupo terapêutico para mulheres

Você acreditava que era metade de uma laranja? 

Que é coisa de mulher cuidar do Outro?

Que você é a chave e ele é a fechadura?

Então venha fazer parte do Grupo de Mulheres e conhecer, dividir e somar com sua história de vida!!



Mais informações pelo email: contato.espacosistemico@gmail.com ou pelo telefone: (31) 3225-0904



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Tempo passou e me formei em solidão


Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.


Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegre a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre… Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia: – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…


Que saudade do compadre e da comadre!




* Texto de José Antônio Oliveira de Resende - (Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei/MG).

domingo, 15 de dezembro de 2013

NATAL …...

Desejo que a "Estrela-Guia" brilhe e guie o coração de cada um de nós para um mundo mais humano e com o verdadeiro "Espírito da coisa…"

Qual é o seu verdadeiro sentido para o Natal?

Qual é o seu verdadeiro sentido de caminhar nessa vida?

Qual é a verdade do seu Ser?

Qual é o "espírito de vida…" que você coloca nas coisas da sua vida?


Para refletirmos sobre isso trouxe um texto não tão novo, mas muito atual e que gosto muito, de uma das minhas escritoras favoritas, Martha Medeiros.

Um Natal repleto de significado real e terno para todos nós!! Mais amor, mais simplicidade e mais entrega!!


O Espírito da Coisa(Martha Medeiros)



VOCÊ SEMPRE PEGA O ESPÍRITO DA COISA? Geralmente o espírito da coisa é algo que fica subentendido, só as almas atentas conseguem captá-lo. A verdade é que, em um mundo cada vez mais pragmático, é difícil pegar o espírito da coisa, seja que coisa for esta.

O que dizer então do espírito do Natal? Antes ele entrava no ar assim que dezembro iniciava. O espírito deste mês, para quem foi criança em outros tempos, era de pura magia. O Natal, que demorava tanto para chegar, estava batendo à porta. “Quantos dias faltam, mãe?” “Agora falta pouco, querida”. “Quanto?”  “Uns 20 dias”. “Tudo isso?!!”

Mas a gente sabia que era pouco se comparado à longa espera de um ano inteiro. Em maio, junho, julho, o Natal ainda estava a perder de vista. Natal era o arremate do calendário, era a compensação por tanto estudo e provas na escola, era o prêmio por termos nos comportado bem, era a hora de colocar uma roupa bonita e ter algum desejo atendido, era hora de comer umas delícias diferentes, de rezar, de acreditar em todos os sonhos. O céu ficava mais azul, as estrelas se multiplicavam e nunca, nunca chovia em dezembro. Então finalmente chegava o dia 24. A empregada era liberada logo depois do almoço, o pai voltava mais cedo pra casa e nenhum moleque reclamava de ir pro chuveiro, até gostava. Já de banho tomado, era hora de esperá-lo. Ele. O verdadeiro deus de toda criança, Papai Noel.

Hoje mal entra dezembro — e com ele, trovoadas — e os shoppings lotam, o trânsito entope, os filhos pedem coisas caríssimas e ganham antes mesmo da noite feliz. Comprar, comprar, comprar. Você, meio sem grana, faz o que pode. Os outros, meio sem nada, você faz que não vê. Mas eles estão entre nós: crianças pedindo um lápis de presente, pedindo colchão de presente, sonhando com o primeiro iogurte de suas vidas. E a gente voando de um lado para o outro, sem tempo pra eles.

Isso tudo foi até ontem, quando dezembro acabou. Ao menos este dezembro insensato, ansioso, consumista, ateu, que dura 24 dias febris, onde todos correm, todos estão atrasados, todos têm compromissos inadiáveis. Uma amiga me escreveu no auge do estresse: “Pensar que o próximo será só daqui a um ano é a melhor parte da história”.

Antes de começar a contagem regressiva para o próximo, temos hoje. Temos este hiato, o dia 25. Um feriado, um domingo, uma trégua. As lojas estão todas, todinhas, fechadas. Sobrou alguma coisa da ceia para beliscar na geladeira. Você vai sentir sede de suco natural, de água gelada. Vai colocar música pra tocar, vai vestir uma camiseta limpa. Você não tem nada pra fazer, nenhum motivo pra tirar o carro da garagem, nenhuma razão para procurar vaga para estacionar. Hoje você vai andar a pé, no máximo de bicicleta. Vai falar mais pausadamente. Não vai ligar a TV, prometa. Nem sei por que abriu o jornal. Hoje é dia de caminhar devagar, de chinelo ou pés descalços. Dia de olhar bem fundo nos olhos do porteiro que está trabalhando, do motorista de ônibus que está trabalhando, e desejar a eles um feliz Natal pra valer. Com sentimento. Um sentimento que não seja medo nem angústia.

Paz.

É hoje o dia que nos restou pra isso. Um dia para sairmos de casa apenas para ir até alguém que nada possui e ofertar um pedaço de bolo, uma barra de chocolate, um travesseiro, um sabonete, uma bola, qualquer coisa que signifique uma verdadeira extravagância diante de tanta miséria. Terminou a histeria coletiva, terminou a festa, terminou a semana. É hoje, antes que tudo reinicie, que você poderá encontrar o verdadeiro espírito da coisa. Não deixe que ele escape. 


Fonte do texto: http://semeaduradeluz.blogspot.com.br/2008/11/o-esprito-da-coisamartha-medeiros.html

terça-feira, 19 de novembro de 2013

RELA - ACIONAR


Atualmente venho refletindo muito sobre as relações. E não acredito que isso seja um comportamento tão original da minha parte, pois o relacionar está aí para vermos, vivermos e sentirmos.  

Percebo que atualmente esse comportamento que deveria ser uma condição intrísecamente humana, simples e natural tem se tornado um tema tão fervoroso e importante nos consultórios de psicologia, nos veículos de comunicação, nos livros de auto-ajuda.

Para quê estamos precisando de tanta ajuda para nos relacionarmos?

O que acontece nessa tal RELA – AÇÃO que vem incomodando tantas pessoas? Não era para ser o contrário? Por quê um ato de encontro ganha tanto espaço para des – entendimentos e sofrimentos?

Tenho percebido o quanto passamos pela vida sem nos dar conta que cada possibilidade de rela – ação é uma oportunidade de vínculo e um ato em potencial de AMOR.

Buscando o significado de vínculo encontrei atar, ligar a, apertar. Será que é isso?

Ficamos “apertados” para relacionar e depois por estar relacionando?

As relações nos aperta , nos aproxima do outro num movimento para “relar”, para apararmos nossas arestas, nossos corpos, nossas crenças, nossos valores,  nossas expectativas, nossos limites.

Relacionar nos traz para a realidade, nos tira da ilusão, nos faz mais humanos. Mas, ainda há aqueles que insistem em retornar para o imaginário, e dali viver um mundo paralelo. Onde acham que falou, que ouviu, que cuidou, que percebeu, que viveu uma história de amor. Acham! E daí a vida passa e continuam achando, imaginando.

Assunto polêmico, não?! Posso estar com essas questões também construindo uma “realidade paralela”.

Lembrei-me agora do Mito da Caverna de Platão. Muitas vezes, em nossos relacionamentos preferimos ficar dentro da caverna, recebendo apenas um feixe de luz que traz uma projeção do mundo externo. Mas, continuamos de costas, imóveis, acorrentados, olhando somente para a parede do fundo da caverna. E ali construímos nossas crenças.

Mas, se em algum momento meu companheiro (a) resolve se libertar das correntes, olhar para a fresta que permite a entrada do feixe de luz, escalar o muro com todas as dificuldades que esse caminho possa representar, sair da caverna  e encontrar o “mundo externo” e retornar para anunciar a “boa nova” para o que ficou dentro da caverna, isso pode representar um momento de crise, conflito, des – entendimentos, ocasionando uma exclusão,  sofrimento , mágoas, etc.

Ou seja, muitas vezes estamos preparados para viver uma rela – ação que nos mantenha olhando somente para o fundo da caverna, ficando no escuro, vendo somente as sombras e acreditando que o mundo lá fora se resume nisso. Vivemos entediados, mas na ilusão do conforto e da segurança de que tudo está no controle. Me aperto, mas não me permito expandir. Me vínculo, mas não me libero para RELA – ACIONAR.

RELA - ACIONAR é a minha possibilidade de sair da caverna, do fundo dela, de parar de enxergar somente as projeções e de viver na sombra. É poder olhar para a luz, para o mundo real e me expandir enquanto ser humano, que aprende  e caminha ora no seu próprio ritmo , ora no ritmo do Outro , e assim, bailando desenvolvo o ritmo, o passo, o compasso a melodia.


 Artigo elaborado pela Psicoterapeuta de Família e Casal Myrna Nascimento