sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Aprenda a escutar a sua intuição

Saiba como a neurociência e a psicanálise explicam essa sensação que pode ser treinada para servir de guia em decisões importantes e aprenda a fazer isso



A intuição nunca falha. Isso é praticamente uma unanimidade quando o assunto é ouvir a ‘voz do coração’. Portanto, exercitar essa característica pode ser a maneira mais eficaz de fazer escolhas acertadas.

Foi tomando tombos que a gestora de trânsito, Cristiane Takeda Guerra, 36 anos, aprendeu a dar mais atenção à própria intuição.

“É a primeira ideia que vem à cabeça e só me guio por ela”, conta. Segundo Cristiane, inicialmente, pode ser meio confuso separar essa primeira ideia de um turbilhão de informações e influências externas, mas o exercício contínuo vai aguçando o ouvido.
“Com o tempo, logo já se presta atenção nessa voz interior e sabe que é ela quem comanda”, diz.
“Do ponto de vista científico, a intuição é um conteúdo inconsciente que interfere em nosso cotidiano suscitando emoções que não estão gravadas na memória”, explica Carla Tieppo, professora de Fisiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e pesquisadora da área de neurociência. Isso porque o funcionamento cerebral considera boa parte do processamento distanciado da vigilância consciente.
“Para a fisiologia do sistema nervoso, as emoções marcam determinados eventos que, em uma próxima situação, podem ser recordados”, acrescenta Carla.Por isso, qualquer pessoa tem marcadores emocionais bons ou ruins. E cabe a cada um, acreditar (ou não) nos sinais que está recebendo.
“O processo intuitivo é um exercício, pois é preciso acreditar nos sinais, escutar o próprio corpo e identificar estes estímulos emocionais”, alerta a especialista. Para Carla, conseguir interpretar essa intuição é sempre muito positivo.
Já a terapeuta comportamental Denise Pará Diniz, psicóloga do Setor de Estresse e Qualidade de Vida da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) define a intuição como uma espécie de equilíbrio entre razão e emoção.
“Ouvir a voz do coração tem uma simbologia com a questão afetiva, é deixar acontecer o que se deseja. Enquanto o lado mais racional capta as experiências adquiridas ao longo da vida”, completa.
De acordo com Denise, é preciso ouvir sim a voz do coração, mas também avaliar o que pensa sobre isso e do que necessita no momento, antes de tomar qualquer decisão. Só então direcionar as ações para o que considerar mais acertado.
“Sentir e pensar são essenciais e, dependendo da questão, a ação pode ser mais direcionada pela emoção ou pela razão”, informa.
Algo me diz que...
“A intuição é uma sensação forte e tranquila de que devemos seguir em determinada direção”, explica a psicoterapeuta Patrícia Gebrim, autora do livro ‘Gente que Mora Dentro da Gente’ (Editora Pensamento-Cultrix). Para a escritora, não existe segredo, intuição é uma voz interna que nos faz sentir que esse ou aquele é o caminho certo.
“Se a mente não atrapalhasse com seus intermináveis questionamentos, sempre seríamos guiados por nossa intuição”, garante. Afinal, a autora acredita que ela faz parte da nossa natureza, portanto é sempre acertado segui-la, pois ela viria de um Plano Superior, de uma parte nossa que sabe de coisas que a mente não sabe.
“Uma intuição em ação sempre indica o caminho que é melhor não apenas para a pessoa, mas para todos que estão envolvidos na situação”, destaca.Patrícia confirma que a intuição está sempre presente, porém devido nossas crenças, pensamentos repetitivos e medos, muitas vezes, não conseguimos ouvi-la.
“Por isso, é importante aflorar a intuição aprendendo a controlar a mente. É essencial encontrar um espaço entre os pensamentos, pois é ali que a intuição está esperando por nós!”, ensina.Além disso, vale apostar em algumas dicas para não confundir intuição com perturbação. De acordo com Patrícia, a intuição contém características bem definidas:
Não a buscamos! Ela chega de forma súbita e nos traz paz;Ela não é lógica;Ela transmite a mensagem em uma única vez; pensamentos repetitivos e turbulentos são desejos movidos pela ansiedade;Em geral, a pessoa sente-se confiante diante da mensagem recebida;Exercitar isso é a melhor forma para aprender a lidar com ela.
Todo mundo tem, mas dá para desenvolvê-la!
O psicanalista Carl Gustav Jung dizia que cada um de nós tem a sabedoria e o conhecimento que necessita em seu próprio interior. Portanto, intuição não é privilégio de poucos. Todos têm e podem usufruir desses sinais. No entanto, atividades como psicoterapia, meditação, ioga e contemplação da natureza podem ajudar a acalmar a ansiedade e alimentar uma leitura emocional mais positiva.
“São atividades que limpam o conteúdo emocional deixando-o mais aguçado para afastar o medo”, diz Carla Tieppo. Afinal, o estresse e a ansiedade mantêm o sistema emocional sequestrado, gerando um sentimento de perigo e insucesso que não deixam as emoções trabalharem.
“Até mesmo uma boa noite de sono pode ajudar a manter as emoções em equilíbrio. Descansar e relaxar em nível profundo ajuda neste controle”, acrescenta Denise Pará Diniz.

3 passos para ajudar nessa tarefa!

A consultora e escritora Rosana Braga ensina três passos para manter a voz do coração ativa e deixar a intuição guiar os passos seguintes de maneira mais segura.
Observe
Mantenha-se atento aos sinais que a vida manda. Uma situação nunca ‘dá errado’ da noite para o dia. Pequenos acontecimentos vão revelando que algo está fora de sintonia. Em geral, as pessoas se recusam a enxergar ou estão inconscientes demais para perceber. Observação é uma estratégia extremamente eficiente para ouvir mais o coração.
Questione
Lembre-se de que sempre é possível fazer diferente. Basta se questionar: ‘de que outra forma posso interpretar essa situação e que outra atitude posso ter diante dela?’ E, mesmo com a intuição ali presente, procure se respeitar. Avalie o resultado dessa escolha e entenda o que deve ser feito com isso.
Silencie
Aprender alguma técnica de respiração e meditação pode ajudar. Respire profundamente. Parar alguns minutos do dia, várias vezes ao dia, para observar a respiração ajuda a reorganizar pensamentos e emoções.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Você certamente já teve esta alucinação

Você acha que nunca teve uma alucinação na vida? Então você não sabe de nada, inocente. Quase todas as pessoas que vivem nessa era digital, em um país desenvolvido ou em desenvolvimento, onde o acesso à tecnologia é disseminado, como aqui no nosso Brasil, já sofreram pelo menos essa alucinação em particular. Inclusive, em algumas populações, ela é tão previsível que dentro de 6 meses algo em torno de 95% das pessoas irão experimentá-la.
Calma, não criemos pânico!
Já ficou mais fácil de aceitar que você já teve uma alucinação, não é? Mas qual?

Alucinações são muito mais comuns do que a maioria das pessoas imaginam. Por algum motivo, o imaginário coletivo supõe que elas acontecem muito raramente, em pessoas que não estão em seus melhores momentos de saúde. Isso porque nós temos o hábito de associar a palavra “alucinação” com elefantes cor de rosa dançando ou mulheres fantasmagóricas vestidas de branco atrás do espelho de um banheiro escuro quando, na realidade, alucinações não são cenas dramáticas em que as pessoas ficam pensando coisas como “essa pessoa vai vir puxar meu pé de madrugada?”. Ao invés disso, uma alucinação é algo mais para “será que tem um gato preto na minha sala? Ah, não, aquilo é só uma sombra!”.
A alucinação que você provavelmente já teve é uma bem particular. É uma alucinação auditiva com um toque de telefone celular. Eu mesma já passei por isso várias vezes. Você acha que o telefone está tocando – seja o telefone da sua casa, ou seu inseparável smartphone – simplesmente pelo fato de estar esperando uma ligação.
As circunstâncias nem sempre são importantes, mas essa expectativa faz as pessoas pensarem que estão ouvindo um toque ou música em particular. Estranho, né? Acontece sempre que o ruído dos ambientes que as pessoas estão ficam um pouco mais alto. Aí é como se seu cérebro ligasse um estado de alerta, te deixando supersensível aos sons a ponto de te fazer achar que o telefone está tocando.
Exatamente esta circunstância – de estar esperando um telefonema que pode vir a qualquer momento – que causou as alucinações em um estudo particular.
Um grupo de alunos de escolas de medicina que começaram um estágio novo foram incluídos em um estudo que analisou a forma como muitos deles têm alucinações com seus celulares tocando. Antes de o estudo sequer começar, a taxa estava em 78,1% dos alunos tendo alucinações com o celular vibrando e 27,4% deles tendo alucinações com o celular tocando.
No terceiro mês, a taxa de alucinação com vibração atingiu um pico, com 95,9% dos alunos sentindo o celular vibrar (sendo que ele obviamente não estava vibrando), enquanto a alucinação de toque chegou a sua maior marca no sexto mês do estudo, com 87,7% de alunos alucinando com ela.
Até o décimo segundo mês, quando todo mundo já estava mais relaxado, as alucinações de vibração caíram bastante. Mas, ainda nessa altura do campeonato, 86% das pessoas ainda ouviam seus telefones fantasmas tocando.
Depois, quando o estágio chegou ao fim, a taxa de alucinações com o celular vibrando caiu para 50%, bem abaixo do que era quando o estudo começou. Contudo, as alucinações auditivas permaneceram em alta, em cerca de 80% dos estudantes. As pessoas pareciam ter se acostumado com elas.
Vou encerrar o artigo por aqui porque acho que ouvir meu celular tocando. Ou não. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Melhore sua produtividade em 7 passos!

Usar o tempo com sabedoria é um diferencial



Com a chegada do fim do ano (só para lembrar: faltam 4 meses para acabar 2014!), começam a aparecer os planos que ficaram para trás, as dívidas, pilhas de relatório atrasados e a desorganização aparece aos poucos até se perder nas mil tarefas que parecem não terem fim. Como aumentar a produtividade e dominar todas as tarefas?
Segundo o diretor executivo da Innovia Training & Consulting, Ricardo Barbosa, usar o tempo com sabedoria é um diferencial entre os profissionais, pois "são grandes os resultados que se tem com a capacidade de organizar bem o tempo de serviço, produzindo adequadamente dentro dos horários de trabalho, evitando horas extras e dando os retornos necessários".
Desafogue o tempo com 7 dicas para melhorar a produtividade no trabalho:
1 - Desligue o smartphone (mesmo)
Nada de deixar o smartphone no silencioso e ficar apertando as luzes do aparelho para ver se recebeu alguma mensagem instantânea, ligação, ou um "olá" nas redes sociais.Segundo o expert em consultoria profissional, os aparelhos eletrônicos são causadores de falta de foco no trabalho. "Tudo isso tira sua atenção, sabota seu foco e dificulta a realização de tarefas. Reserve um tempo no seu dia para cuidar dos seus e-mails e relacionamentos, mas não permaneça 100% do tempo conectado", recomenda.
2 - Lista das listas
Foco é um dos maiores problemas dos profissionais. Caso você faça parte do time daqueles que não conseguem nem COMEÇAR a executar as tarefas ou priorizar atividades, a sugestão é fazer uma lista. Pegue as tarefas do dia, antes de começar a executá-las, e liste-as. Retome à lista e enumere pelo grau de prioridade e se atente a executar exatamente todas as tarefas, pela ordem.
3 - Não ultrapasse seus limites
Tem momentos em que as tarefas parecem não ter fim - mesmo com listas, organização e foco. Talvez o problema não deve ser o tempo ou desatenção, mas a quantidade de trabalho que é realizada. Sabemos que às vezes dá vontade de abraçar o mundo, mas realizar todas as tarefas que aparecem pela frente só prejudicará a qualidade do trabalho. "Evite se comprometer com mais do que suporta. Saiba que cada um tem seu escopo de trabalho e é pago para isso, assim, focalize seu objetivo fim", afirma Ricardo.
4 - Divida profissional do pessoal
A dica fica mais complicada quando a pessoa trabalha em um estilo home OFFICE, mas não é impossível. Por mais frio que pareça, tente não levar os problemas de casa para o ambiente de trabalho. "Evite que esses impactem pesadamente nos resultados do trabalho, lembrando que a alta concentração na tarefa em execução pode levar a retrabalho ou prejuízos muito maiores", alerta o diretor.
5 - Motivação sempre
Mesmo que seja uma segunda-feira chuvosa e sem graça, motive-se! Seja por meio de um exercício físico, com uma música favorita, uma boa leitura, um abraço... Motive-se sempre! Busque tirar o proveito positivo de todas as situações, tente encontrar coisas novas nas tarefas mais rotineiras para não cair na mesmice. Ricardo afirma que muitos trabalhadores não buscam coisas novas e acabam na desmotivação e ACOMODAÇÃO.
6 - Faça para agora o que é para hoje
Você chega no trabalho, o chefe chama para passar uma tarefa - que é tão simples que deixa para depois. Ao final do dia, a atividade não foi realizada e é deixada para amanhã. Passa uma semana e ainda não foi executada. Praticamente como uma bola de neve, você acumulou várias tarefas simples que não foram executadas por procrastinação. "Evite deixar tudo que se pode fazer hoje para o amanhã, pode parecer que não haverá problemas mas pode ter certeza que o resultado não será positivo", afirma o expert em consultoria.
7 - Descanse!
Viver de trabalho não facilitará a administração do tempo, pelo contrário! Com o tempo, as tarefas vão aumentar junto com o cansaço e tudo será executado a meia-boca. As folgas são necessárias porque o corpo precisa descansar, dentro da jornada de trabalho. "O descanso é fundamental para que se possa ser produtiva. Nenhum profissional é 100% do seu tempo, temos que cada vez mais exercer o famoso ócio criativo" finaliza Ricardo.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Pais têm dificuldade para aceitar que filho adolescente precisa fazer terapia

Tratamento psicológico nessa fase ajuda no processo de autoafirmação dos jovens e diminui crises familiares. Veja alguns sinais de que seu filho precisa de ajuda profissional

Se a infância é marcada pela evolução do desenvolvimento das crianças, a adolescência é visita como o tempo dos conflitos. Os filhos, que até então estavam protegidos pelos braços e limites dos pais, passam a buscar autonomia e independência.
Nesse desequilíbrio entre autoridade e submissão na família os adultos podem perder o controle da situação. E fica difícil saber se chegou a hora de pedir ajuda profissional. Mais difícil ainda é aceitar essa necessidade.
“Muitas vezes, a culpa dos transtornos é dos pais. Eles não sabem como lidar com o comportamento dos filhos e se recusam a buscar ajuda. É ego ferido, como se o terapeuta fosse atestar a falha deles como educadores”, observa a psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando adolescentes em tempos difíceis” (Summus Editorial).
Papéis distintos
Com o estudante Guilherme Machado, de 18 anos, a situação de recusa dos pais é semelhante. Ele sempre teve vontade de fazer terapia, mesmo tendo uma relação familiar tranquila.
“Eu converso com meus pais, mas não acho que seja o suficiente. Muitas vezes, a vontade de se abrir com um psicólogo é maior”, acredita.
Mesmo assim, os pais de Guilherme não concordam com os argumentos do filho. Para eles, um terapeuta faz “mais do mesmo”.
“Eles já usaram várias vezes a desculpa de que um psicólogo não vai falar nada que eles já não tenham me falado. Minha mãe já disse que o motivo de alguém acreditar no psicólogo é porque ele fala o que você quer ouvir”, lamenta Guilherme.
Os especialistas fazem questão de ressaltar que o profissional não substitui o papel dos pais. É natural que os adultos não saibam o melhor jeito de dialogar com os filhos e acabem adotando uma postura combativa. Do hábito de julgar e agredir verbalmente, nasce a oposição entre os familiares. A consequência é que os jovens respondam na defensiva e se fechem ainda mais para o mundo. Por isso, é importante que alguém de fora faça a mediação.
“Geralmente, os pais não escutam os filhos, não deixam que eles se expliquem. O terapeuta faz o contrário, escuta o lado do adolescente e passa essa sensação de segurança”, explica Elizabeth.
"Coisa de doido"
A resistência dos pais, muitas vezes, chega a desqualificar a dor desse adolescente. Alguns acreditam, inclusive, que o tratamento pscicológico só é necessário para quem tem algum tipo de desequilíbrio mental.
"Os pais desqualificam o sofrimento dos filhos ao dizer que terapia é coisa de doido. Essa atitude demonstra falta de sensibilidade”, afirma a psicóloga e terapeuta familiar Rosa Macedo.
“Os adultos precisam perder esse preconceito. Terapia não é cura, é autoconhecimento. Numa fase de tantas mudanças, como a adolescência, é extremamente benéfico dar essa oportunidade para os jovens. Assim, eles encontram seus lugares no mundo que os cerca”, rebate Elizabeth.
Se o próprio jovem procura os pais para pedir ajuda, a resposta deve ser ainda mais serena e acolhedora.
“É sinal de que as coisas estão muito graves para ele. Os pais devem abraçá-lo e respeitar sua decisão, para que não se torne um problema maior”, completa Rosa.
Depois que os trabalhos entre terapeuta e adolescente começam, é importante respeitar a privacidade do filho. Não se deve insistir em saber o que foi dito durante as sessões, nem proibir que o jovem comente determinados assuntos com o psicólogo. Se não houver respeito, pode ser sinal de que os adultos também precisam passar por tratamento psicológico.
“Na terapia familiar, ensino os pais a dialogar com os filhos. A gente dá espaço para a discussão saudável, em que todos têm o momento de falar e ouvir. Em casa, é mais fácil levantar e sair andando, ignorando o que o outro tem a dizer. No consultório, todos ficam e escutam”, explica Elizabeth Monteiro.
Chegou a hora?
Segundo especialistas, os pais devem prestar atenção em alguns sinais e comportamentos específicos nos filhos para saber se chegou o momento de optar por uma ajuda externa.
“Não é normal que toda conversa termine em discussão. Se o adolescente se torna agressivo e evita qualquer interação social, com familiares ou amigos, os pais precisam entender o que está acontecendo”, atenta Rosa Macedo. Outro ponto que chama a atenção é o rendimento escolar, que piora muito quando o jovem passa por problemas em casa.
O próximo passo é ter uma conversa franca com todos da família. Pais devem perguntar o que está acontecendo para que o adolescente se comporte daquela forma. A ideia é deixar o espaço aberto para as respostas e soluções. Se ainda assim o diálogo não acontecer, é hora de assumir que um profissional pode lidar melhor com o conflito.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Diferencie a tristeza comum da depressão

A tristeza dura entre 15 e 20 dias, enquanto a depressão pode vir acompanhada de sintomas físicos



Atualmente, a depressão afeta 340 milhões de pessoas em todo o mundo, ou seja, uma em cada cinco pessoas em algum momento da vida já apresentou ou apresentará quadro depressivo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa deve se tornar a principal doença nos próximos vinte anos. 

Mas o que é depressão? É um distúrbio emocional, hoje reconhecido como doença. Segundo as modificações no Código Internacional de Doenças (DSM-V), é caracterizada por tristeza profunda e baixa autoestima, que pode ser desencadeada pelo estresse, assedio moral, jornada de trabalho muito extensa, problemas financeiros, falta de emprego, cobrança pessoal, frustrações, luto e também por causas biológicas. 

Há uma alteração química no cérebro do paciente, onde os neurotransmissores não são produzidos de maneira satisfatória. Entre eles estão a serotonina, noradrenalina e dopamina, que são substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. 

Nestes casos é necessário que o paciente procure um profissional da área de saúde mental, no caso um psicólogo ou psiquiatra, para que seja feita uma avaliação do caso. Se a pessoa for diagnosticada um quadro depressivo, deverá iniciar um processo de psicoterapia, em que irá rever sua postura diante dos problemas, e também um tratamento medicamentoso, para adequar quimicamente a produção destes neurotransmissores. 

Após décadas de estudos a respeito da depressão, o novo Código Internacional de Doenças (DSM-V), resolveu incluir dentro do quadro da depressão o luto, que anteriormente não era aceito. Isto faz com que a depressão desencadeada pela perda de um ente querido seja aceita como doença, e também possa ser tratada adequadamente.  

Não é uma simples tristeza

Há uma grande diferença entre tristeza e depressão. A tristeza pode ocorrer desencadeada por algum fato do cotidiano, onde a pessoa realmente sofre com aquilo até assimilar o que está acontecendo e geralmente não dura mais do que quinze a vinte dias. Já a depressão se instala e se não for tratada pode piorar e passar por três estágios: leve, moderada e grave. 
 Geralmente a pessoa pode apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas:                           
  • Apatia
  • Falta de motivação
  • Medos que antes não existiam
  • Dificuldade de concentração
  • Perda ou aumento de apetite
  • Alto grau de pessimismo
  • Indecisão
  • Insegurança
  • Insônia
  • Falta de vontade em fazer atividades antes prazerosas
  • Sensação de vazio
  • Irritabilidade
  • Raciocínio mais lento
  • Esquecimento
  • Ansiedade
  • Angustia.
Além disso, o indivíduo pode apresentar alguns sintomas físicos que os médicos não conseguem encontrar causas aparentes, como: 
  • Dores de barriga
  • Má digestão
  • Azia
  • Constipação
  • Flatulência
  • Tensão na nuca e nos ombros
  • Dores de cabeça
  • Dores no corpo
  • Pressão no peito
  • Entre outros...
Estes são alguns dos indícios da depressão. Mas, se houver dúvida, procure um especialista para ter um diagnostico e tratamento corretos. Não tenha medo ou vergonha de expressar o que realmente está sentindo e vivenciando, pois esses profissionais irão se basear nestes dados para poderem prescrever um tratamento e a partir daí, o paciente voltar a ter qualidade de vida, com alegria e bem estar. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Pesquisa monitora o cérebro de crianças com problemas de conduta e descobre: elas reagem menos à dor alheia

Estudo sugere que atividade cerebral de crianças pode ser vista como fator de risco para desenvolvimento de psicopatia na idade adulta


As origens do comportamento cruel apresentado por criminosos e psicopatas pode estar no cérebro. Um estudo publicado nesta quinta-feira no periódico Current Biology monitorou a atividade cerebral de crianças inglesas que apresentavam problemas de conduta. A pesquisa deixou claro que o cérebro dessas crianças, quando são confrontadas com imagens de pessoas sofrendo, reage de maneira diferente da maioria das outras: as áreas associadas à empatia se mostram menos ativas em reação à dor alheia. Diante dos resultados, os cientistas sugerem que a análise da atividade cerebral de crianças ao testemunhar cenas de sofrimento pode ajudar a apontar fatores de risco para o comportamento antissocial e a psicopatia na fase adulta.

Jovens com transtorno de conduta apresentam uma série de comportamentos que violam os direitos alheios, como agressão física, crueldade, roubo e falta de empatia em relação às outras pessoas. As crianças com esse tipo de comportamento têm maiores chances de se tornar adultos violentos e ter comportamentos antissociais. Na Inglaterra, onde o estudo foi conduzido, cerca de 5% das crianças parecem ter esse tipo de problema.

No novo estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para descobrir se o cérebro dessas crianças com desvio de conduta reagia de modo diferente a fotografias de outras pessoas sofrendo. Como resultado descobriram que, em relação às outras crianças, áreas como a ínsula anterior, o córtex cingulado anterior e o giro frontal inferior — todas associadas à empatia — ficaram menos ativas.

Segundo os pesquisadores, isso não quer dizer necessariamente que toda criança com problemas de conduta tem a mesma reação ao sofrimento, e nem que qualquer em que demonstre esse tipo de padrão cerebral vá se tornar um adulto problemático — na verdade, a maior parte deixa esse tipo de comportamento para trás durante seu desenvolvimento.

"Nossa descoberta indica que crianças com problemas de conduta têm uma resposta cerebral atípica ao ver outras pessoas sofrendo. O importante é ver essas descobertas como um indicador de vulnerabilidade, em vez de um destino biológico. Nós sabemos que crianças são bastante suscetíveis a intervenções, e o desafio é fazer essas intervenções ainda melhores", diz Essi Viding, pesquisadora da University College London responsável pelo estudo.

Vulnerabilidade – Os pesquisadores também analisaram as diferenças de comportamento dentro do grupo das crianças com problemas de conduta, separando os indivíduos mais insensíveis e que demonstravam menos emoções. Essa indiferença emocional é uma importante característica dos psicopatas, e sua presença na infância pode ser vista como fator de risco para o desenvolvimento da condição na vida adulta.

Os cientistas descobriram que, em relação à dor alheia, o grupo apresentou uma atividade ainda menor na ínsula anterior e no córtex cingulado anterior. "Nossa pesquisa mostra muito claramente o fato de que nem todas as crianças com problemas de conduta têm a mesma vulnerabilidade neurobiológica — algumas podem ser mais vulneráveis à psicopatia, enquanto outras não. Isso traz a possibilidade de adaptarmos as intervenções existentes para se adequar aos perfis específicos que caracterizam as crianças com problemas de conduta", disse Essi Viding. 


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Dependência não é sinal de amor, numa relação equilibrada não há domínio



Quando, num casal, um se sente mais poderoso ou mais fraco do que o outro é sinal de que o relacionamento não vai bem. Quem ama não domina e tampouco deve deixar-se submeter. No amor, o que pode haver é uma dependência mútua, de lado a lado, sem sofrimento. E confiança. Carência e poder só geram sofrimento e angústia, nunca o prazer e a alegria típicos do amor.
em todas as relações há quem precise mais — ou menos — do outro, mas algumas vezes essa  dinâmica torna-se doentia: aquele que precisa menos assume o poder; o mais apegado sofre, pois experimenta uma espécie de vício, é como se não conseguisse viver sem o ser amado. “Eu não existo sem você”, diz ao parceiro ou parceira. Isso não é amor, é dependência.

Mesmo sabendo que não é amada, essa pessoa não consegue se separar ou prescindir da outra. Narcisistas gostam de se relacionar com gente assim, que depende totalmente deles. Isso faz bem à sua vaidade. “Sem mim, ele/ela não existe”, pensam. Muitos casais se relacionam dessa maneira. Acham que vivem uma história de amor, mas o que os une é apenas a dependência.
Num bom relacionamento há um equilíbrio de poder. Há uma dependência mútua, mas sem sofrimento, ambos têm vida, amigos e interesses próprios — e confiam um no outro. Gostam de ficar juntos e também de ficar sós. Quando se encontram não há cobranças, mas conversas, troca de interesses, cumplicidade e desejo.


Um amor em que há domínio, medo de ser abandonado e insegurança é um amor doente. Se um dos dois vive mostrando ao outro que deve agradecer por estarem juntos e que, se terminarem, não sentirá nada, pois tem uma fila de pretendentes, é claro que isso provoca ansiedade no mais fraco. Com medo de ser abandonado, ele se submete e faz de tudo para não perder seu amor. Vive atormentado e nunca diz “não” ou expressa o que sente. Nesse caso, está claro que o amor só existe de um lado, que não há equilíbrio e que aquele que detém mais poder abusa da pessoa que diz amar. 
Às vezes acontece de o mais fraco tentar reverter a situação de dependência, mudar a dinâmica, e então os papéis se invertem — aquele que abusava começa a se sentir inseguro. Ou seja, não adianta querer se tornar indiferente, se afastar ou a subjugar o outro. O que é preciso é tentar mudar essa situação.
Como? Primeiro, vendo a realidade. Não é porque amamos alguém que esse alguém vai nos amar. Precisamos tentar ver o outro como ele é, com suas virtudes e defeitos, não idealizando, não lhe dando mais valor do que tem. Também temos de nos ver como somos, valorizar o que temos de bom — e lembrar que, como nós, o outro vai sofrer, sim, se houver um rompimento. Igualmente importante é não deixar de dizer o que sentimos, dar opiniões, não ter medo de discordar. Quem se anula pelo outro fica desinteressante.

Para restabelecer o equilíbrio, é preciso parar de implorar por amor, manter a dignidade, confiar em si.
Vale a pena também ficar sozinho algumas vezes, procurar amigos, começar uma atividade nova, um hobby, ginástica, teatro, aprender uma língua, enfim, tirar um pouco da energia que é depositada na relação. Em geral, isso basta para que o a amor fique mais equilibrado e o interesse volte.

O amor deve dar prazer e alegria, se só dá sofrimento e angústia, não é amor, é dependência e carência.
Agora, se por fim chegarmos à conclusão de que o amor é unilateral, de que só um ama pelos dois, então devemos ter a coragem de ficar sós. O ideal romântico diz que somos apenas uma metade que precisa ser completada e acreditamos nessa fantasia, mas ela não corresponde à realidade. Estar acompanhado nem sempre é melhor que estar só. Ficar só é possível e pode ser muito bom.


Leniza Castello Branco – Psicóloga e Analista Junguiana em São Paulo